Daniela e sua mãe tinham um longo caminho até o cemitério para levar flores aos avós falecidos. O trajeto era cansativo, e ao chegarem, resolveram descansar junto à lápide. A mãe, exausta, adormeceu rapidamente, enquanto Daniela, ainda cheia de energia, decidiu explorar os arredores.
Caminhando entre os túmulos, a menina encontrou um garoto que parecia ter a mesma idade que ela. Ele usava roupas antigas, mas sua aparência não lhe causou estranhamento.
— Olá! Como você se chama? — perguntou Daniela.
— Paulo Manuel. Quer brincar comigo? — respondeu o menino, sorrindo.
Sem hesitar, Daniela aceitou. Os dois correram entre os túmulos, brincaram de esconder e riram como velhos amigos. As horas passaram voando, até que a mãe da menina chamou por ela.
— Preciso ir! — disse Daniela, ofegante. — Foi muito legal brincar com você!
— Eu também gostei… — respondeu Paulo Manuel, acenando suavemente.
No caminho de volta, Daniela passou os olhos pelas lápides, distraída, quando um nome lhe chamou atenção. Sentiu um frio na espinha ao ler a inscrição gravada na pedra:
“Aqui jaz Paulo Manuel. Falecido em 6 de abril de 1915.”
O ar lhe faltou. Seu corpo estremeceu. Ela olhou para a mãe, que percebeu sua expressão assustada.
— O que houve, filha? — perguntou a mãe.
Daniela apontou para a lápide, incapaz de falar.
A mãe arregalou os olhos e suspirou.
— Há uma velha história sobre esse menino… — disse ela, num tom sombrio. — Dizem que ele foi enterrado vivo por engano. Quando perceberam, já era tarde demais.
Daniela sentiu um calafrio percorrer seu corpo.
Desde aquele dia, ela nunca mais quis voltar ao cemitério.