O Homem Cego de Berlim

Logo após o fim da Segunda Guerra Mundial, Berlim era uma cidade em ruínas. O ano exato se perdeu com o tempo — dizem que foi em 1947, talvez 1948. Mas a verdade é que a fome falava mais alto do que os calendários.

O dinheiro valia pouco. Os suprimentos, menos ainda.

E as pessoas… bem, as pessoas faziam o que podiam para sobreviver.

É nesse cenário que a história começa — com uma jovem berlinense atravessando uma rua lotada, passos apressados, olhos baixos, como todos os outros.

Foi então que ela o viu.

Um homem cego, parado no meio da multidão, segurando uma bengala torta e tremendo. Ele a chamou com voz rouca, quase suplicante.

Ela parou.

Ele sorriu, agradecido.

— Fräulein, poderia me ajudar?

A jovem assentiu com um gesto tímido.

— Tenho uma carta. Só preciso que a entregue neste endereço, por favor. Fica no caminho da minha casa — disse ele, estendendo um envelope amarelado.

Ela pegou a carta. O número no endereço parecia confuso — um “4” ou talvez um “9”.

Ela hesitou, tentando decifrar.

— É o número 9, pode confiar — disse ele, com um sorriso estranho. — Minhas dores não me deixam continuar…

Ela assentiu, mais uma vez. Mas algo incomodava.

Deu alguns passos… e então parou.

Virou-se.

Queria perguntar o nome dele. Só que o que viu fez o estômago revirar.

O homem “cego” andava entre a multidão com firmeza. Sem bengala. Sem hesitar. Sem óculos.

Não era cego.

Um calafrio subiu-lhe pela espinha. Em vez de seguir ao tal endereço, foi direto à delegacia mais próxima.

A polícia escutou seu relato em silêncio. Já havia rumores de desaparecimentos estranhos naquela região.

Resolveram investigar.

Ao chegar ao número 9 da rua indicada, encontraram uma casa aparentemente comum. Silenciosa.

Por fora, nada suspeito.

Mas ao arrombarem a porta, o horror revelou-se em sua forma mais grotesca.

Três açougueiros — sujos, com aventais ensanguentados — estavam no fundo da casa, cortando carne.

Carne humana.

Em balanças enferrujadas, em pias imundas, em ganchos pendurados…

Partes de corpos eram preparadas como se fossem suínos.

E já embaladas em pacotes simples, prontos para serem vendidos às pessoas famintas da cidade.

No envelope que a jovem recebera, havia apenas uma única frase:

“Esse é o último que eu mando para vocês hoje.”

Dizem que tudo isso é real. Que o caso foi abafado pelas autoridades, com medo do pânico.

Mas entre os policiais mais antigos, ainda corre a história.

A do homem cego que não era cego.

E da carne que muitos comeram sem nunca saber de onde veio.fonte: wattpad.com; walisou

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